Se um psicanalista, num teste de associação de idéias, dissesse subitamente a Mr. Salter a palavra fazenda, a resposta surpreendente teria sido “Bum”, isso porque uma vez havia sido soterrado numa explosão quando passava uma temporada numa fazenda em Flandres. Era sua única associação íntima com a terra. Deixara-lhe a crença obstinada, embora reconhecidamente irracional, de que a agricultura era uma coisa estranha e extremamente perigosa. Uma vida normal, no seu modo de ver, consistia em viagens regulares de trem, cheques mensais, diversões comunitárias e um horizonte familiar de chaminés e telhados de ardósia; havia qualquer coisa pouco inglesa e não exatamente correta em relação ao “campo”, com sua solidão e auto-suficiência, seu maldito modo de passar o tempo, sua escuridão e silêncio, e súbitos, inexplicáveis ruídos; o tipo de lugar onde você nunca sabia se, de uma hora para outra, não poderia ser perturbado por um touro, espetado pelo forcado de um roceiro, ou derrubado e feito em pedaços por uma matilha de cães.
Tradução de Roberto Perosa.
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